A família Grilo vai embarcar em um veleiro e se lançar ao mar apenas com o ponto de partida. Uma aventura onde tudo é possível!

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Diário de Bordo #1 – Furacão à vista!

Quando decidimos mudar nossas vidas e correr atrás dos nossos sonhos, nunca sabemos o que nos espera pela frente. E acho que essa é a graça. O frio na barriga, o medo do desconhecido, nossa família já estava ciente de tudo isso. Mas ninguém sabia o que realmente teríamos que passar.

Montei o nosso roteiro com os locais por onde passaríamos e o chamei de ˜Furacão Scape˜. Era uma pequena brincadeira porque sabíamos que esse era o começo da época de furacões na zona tropical do hemisfério norte. 

Eu não poderia, nem em mil anos, imaginar que essa brincadeira tornaria-se real.

No dia 5 de julho, 7% de probabilidade transformou-se em uma porcentagem muito maior e um furacão apareceu em nossos radares. Havíamos acabado de chegar à Montserrat, onde ficaríamos por 3 dias, e recebemos essa notícia: o Furacão Beryl está chegando.

Não posso mentir, a angústia foi geral. As meninas se desesperaram e eu precisei manter a calma, porque afinal de contas, alguém precisava aparentar serenidade.

Conversei com alguns locais e fui aconselhado a seguir para o sul, porque segundo algumas pessoas, o furacão passaria longe daquela parte. 

Mas algo me dizia que aquela não era uma boa ideia. Pesquisei e segui meus instintos, não fomos para o lugar indicado. Velejamos até a Antigua, ilha a 34 milhas de Montserrat. Não poderíamos ter feito melhor. O sul, local que me foi indicado para seguir, tinha entrado na rota do furacão e nesse momento, provavelmente, eu já não estaria mais aqui pra contar essa história. A Dominica, ilha que seria nosso próximo destino, estava na olho do furacão.

Antigua também estava prevista na rota do Beryl, notícia que só teríamos com exatidão ao meio dia do dia 7 de julho. Porém não poderíamos esperar. Eu precisava ocupar de fato o meu cargo de capitão do Bora e tomar as rédeas da situação. Mas como se toma as rédeas de um ciclone tropical?

Conversei com os locais em Antigua e, caso o furacão realmente passasse por nós, eu teria que levar nossa família para terra firme e amarrar o Bora em um manguezal. O problema é que o veleiro só tinha seguro caso estivesse amarrado na marina. E a marina da ilha não permitia barcos atracados em caso de furacão. Tentei contato com o meu seguro, em Londres, para alterar a apólice, mas o expediente comercial já estava encerrado. Restou-me apenas esperar o sábado, dia 7, para saber o que ia acontecer.

Como a vida é essa eterna caixinha de surpresas, recebemos a confirmação que o furacão NÃO atingiria Antigua e podemos respirar em paz.

A viagem não tem nem duas semanas ainda e já temos muita história pra contar. Não podemos nem imaginar como será quando essa aventura acabar.

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