A família Grilo vai embarcar em um veleiro e se lançar ao mar apenas com o ponto de partida. Uma aventura onde tudo é possível!

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Diário de Bordo #2 – Prioridades

Já estamos há quase duas semanas vivendo dentro do Bora e grandes lições já tivemos, pois viver tão perto da natureza é quase impossível seguir um roteiro, um planejamento ou mesmo um rumo.

Pensamos em muitos detalhes ao planejar essa viagem, incluindo época de furacões, possíveis falhas de equipamento, documentação da Lola e problemas de saúde. Sendo este último, todo fizeram check up completo, revisão bucal e vacinas. Pensamos no plano de saúde, trouxemos remédios, kit primeiro socorros (incluindo material para caso de pontos e/ou cortes), enfim, tudo dentro do possível e imaginável. Porém, literalmente sem nenhum exagero, estava há dois passos de entrar no avião, já saindo do finger, quando um chiclete descolou uma troca de obturação recém feita. Sim, já cheguei no barco com o dente quebrado.  Esta era a minha prioridade número 1 para resolver.

E foi então que, na saída de Saint Martin, nosso dessalinizador parou de funcionar. Bom, consigo viver por algumas semanas até encontrar um bom dentista, mas não conseguimos viver sem água a bordo. A prioridade agora era arrumar este equipamento para que a gente continuasse com autonomia de ficar dias/semanas sem ter que parar em alguma marina para reabastecimento. Tentei arrumar em St Barths, St Kitts e Monteserrat mas sem algum sucesso, pois a bomba que queimou aparentemente é difícil de achar. Agora que estamos em Antigua, vou tentar descobrir se eles têm uma bomba dessas por aqui.

Mas antes de chegar em Antigua, que já não fazia parte de nosso roteiro, a prioridade mudou novamente, pois um furacão vinha em nossas direções. E de novo vem a priorização, sem barco ou sem vida, não precisaria de água e nem de arrumar meu dente. Entrou como prioridade numero 1 então, obviamente, salvar nossas vidas e o Bora, o que fizemos com muita precisão, sorte, e, principalmente, coragem. É bem complicado viver uma situação tão grave para a qual você não tem muito preparo. Me restava pedir ajuda em comunidades de velejadores, onde muita gente dizia coisas diferentes, e tomar a melhor decisão possível dentro de nossas limitações de conhecimento. E assim tomamos, de forma muito insegura, a melhor decisão de nossas vidas. Vir para Antigua, que não ficou na rota do furacão Beryl.  

Nosso aprendizado neste breve período de tempo foram vários, no qual o ajuste de planos foi fundamental. Se chegamos a pensar em desistir, por ter exposto nossas filhas a uma situação destas? SIM, pensamos. Mas cada queda e cada obstáculo nos fará mais fortes, pois com certeza outros virão. MAS QUE NÃO SEJA OUTRO FURACÃO. 

Enquanto eles não vêm, melhor ligar para o Julian, que me ajudará com o dessalinizador, pois além de resolver o problema da água, poderei finalmente encontrar um dentista e arrumar meu dente.

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